segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Capítulo 3-Entre todos os problemas... Algo surge

- Você está bem, vossa majestade? - o olhar dele era um misto de preocupação e medo. Quando percebi, disse
- O que houve Kay? - ele passou a mão no meu rosto.
- Você está bem mesmo, Leonel? - era a primeira vez que ele me chamou pelo nome. Eu gostei. Olhei para ele um tanto confuso e perguntei-lhe o que havia acontecido. Ele respondeu:
- Nada demais. Você gritava por socorro, fiquei preocupado.
Ele olhou-me e disse:
- Quer que eu durma com você?
Ele estava mesmo preocupado, porém, apesar de achá-lo lindo daquele jeito, achei melhor deixá-lo dormir ao meu lado, embora devamos concordar que eu queria o mesmo.
Ele dobrou o cobertor com o qual estava se cobrindo, fez um travesseiro e deitou ao meu lado. Envolveu-me com um abraço e sussurrou no meu ouvido:
- Fique calmo, tudo ficará bem!
Então ele voltou a dormir com seus braços inda em volta do meu corpo. Tentei voltar a dormir, mas o pesadelo não saia da minha mente , tampouco consegui tirá-lo de lá.
Virei-me de lado e admirei seu rosto enquanto ele dormia. Era tão lindo que me transmitia serenidade e calma. Depois de um tempo, falou:
- Kay, o que você acha que acontecerá com meus pais?
Ele despertou e esfregou os olhos, então achei melhor repetir a pergunta. Ele olhou pro céu, falando logo em seguida :
- Leonel, acho melhor lhe falar a verdade. Eles provavelmente morrerão. Serão executados...
Ele calou-se, provavelmente porque nessa hora eu comecei a chorar em seu peito. Não aguentei, embora soubesse que aquilo seria o mais provável.
Ele continuou a falar:
- Acalme-se, pelo menos você está vivo, Leonel. Não fique assim...
Eu parecia uma criança, chorando em seu peito, mas não queria sair dali, ele transmitia segurança, algo que busquei por muito tempo.
Ele murmurou:
- Acalme-se, Leonel.
Fitei-o e retruquei:
- Não sei o que dizer para você. Falando nisso, você realmente importa-se comigo, Kay?
Olhei em seus olhos e, em troca, recebi um sorriso.
- Sim, você não tem ideia do quanto.
Botou a mão em minha face e continuou:
- De uma maneira que eu nem entendo, mas você despertou algo em mim desde o primeiro momento que eu te vi...- ele sorriu - estou parecendo um idiota falando isso. Desculpe-me. Botei minha face em seu peito e fitei-o novamente.
- Eu não acho estranho... Também sinto isso, mas no meu caso é uma admiração.Você me traz boas sensações - ele sorriu, tornou a mão a minha face - posso experimentar uma coisa que desde cedo quis fazer?
Olhei nos seus olhos e falei:
- O que?
Ele mostrou-me um riso torto, revelando uma covinha em seu rosto, e aproximando o rosto do meu, de um modo que até pude sentir a sua respiração, ele falou:
- Isso - então me beijou.
Quando senti a minha lingua chocando-se com a dele, a primeira reação foi de espanto e libertei-me de seus braços. Ele olhou-me com receio, provavelmente achando que eu não tivesse gostado. Ele falou:
- Desculpa, eu não devia ter feito isso, Leonel. Mereço seu perdão?
Depois do espanto surgiu a sensação do ‘querer mais’, falei pra ele:
- Não precisa se perdoar, na verdade, como posso dizer...?
Mas não precisávamos falar mais nada, ele rapidamente entendeu o meu olhar, deu um sorriso e carregou-me para perto de seus lábios novamente.

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